Vivemos em um tempo, talvez não exclusivo deste século, mas certamente nos dias de hoje onde o ser humano parece viver em uma perigosa inversão de valores.
Um mundo onde o ter se tornou mais importante do que o ser; a aquisição prevalecendo sobre a essência. O tempo e dedicação que as pessoas deveriam dar si mesmas, para buscar o refinamento do caráter, princípios e propósito foi deslocado para o objeto, status nas redes e o alto consumo de supérfolos.
Ao observarmos a engrenagem das mídias sociais e do mercado, percebemos uma supervalorização do que é periférico à vida. Somos bombardeados por narrativas que colocam o status de bilionários e o brilho do sucesso material como o ápice da existência humana.
Com a sociedade praticamente impondo o dinheiro como sinônimo principal de sucesso, é normal nos depararmos nas redes sociais com vídeos redpill’s e frases isoladas (de efeito), motivacionais, sobre o que precisa ser feito para alcançar esse suposto sucesso.
O resultado é um cenário triste e destrutivo: pessoas em busca de likes, visibilidade e aprovação externa, colocam à venda aquilo que possuem de maior valor: seu nome e sua integridade.
É frequente vermos pessoas, cegas pela ganância de serem notadas, abrindo mão de seus valores fundamentais em troca de dividendos sociais temporários.
Parece que a rede social ganhou contornos mais glamourosos e “reais” do que a própria vida, fazendo com que boa parte das pessoas se preocupem mais com sua vitrine digital do que o próprio fato de viver.
Pode uma selfie valer mais do que uma viagem? Likes e inscritos mais do que amizades e experiência? O simples fato de viver perdeu a graça?
O problema que ecoa com mais força, e que virá de forma dolorosa é o entendimento tardio do significado real da vida.
Por que tantas pessoas só se dão conta da transitoriedade do tempo e da superficialidade de suas escolhas quando chegam ao final de suas vidas?

