Categoria: Inteligência Artificial

  • Protagonismo e virtude na era da inteligência artificial

    Protagonismo e virtude na era da inteligência artificial

    Podemos dizer que estamos vivendo claramente uma virada histórica. Algo que não impacta apenas a tecnologia que utilizamos, mas também o mercado que conhecemos hoje.

    Com o uso da IA, a tendência é que o tempo no mercado seja encurtado. Algo que levaria semanas para ser concluído passa a levar dias, ou até horas dependendo da tarefa.

    Esse encurtamento cobrará dos seres humanos mais do que hard skills ou diplomas de engenharia em uma universidade renomada.

    A democratização do conhecimento

    Habilidades estritamente técnicas estão sofrendo uma revolução que já deixou de ser silenciosa. Boas linhas de código deixaram de ser um diferencial sustentável, já que a máquina, com um bom prompt, pode fazer o mesmo em segundos. Um bom arquiteto, mesmo em seus dias mais criativos, passou a entregar menos comparado àquele que faz uso da IA. Profissões como desenvolvedor de sites, copywriter ou designer de criativos estão cada vez mais apagados no mercado, perdendo lugar para ferramentas e plataformas que oferecem esse mesmo serviço de forma gratuita. Ou seja, ser detentor de um conhecimento técnico está deixando de ser um diferencial para esse novo mercado.

    Se hoje um prompt pode alcançar resultados antes restritos a especialistas, o que de fato determinará o sucesso de uma carreira?

    “Ser humano” é o que de fato vai te colocar a frente neste novo mercado

    Mais do que nunca, ser relevante exige ser mais humano. Expressando suas virtudes.

    O novo mercado não busca experts em novas ferramentas, mas sim pessoas sábias, que estão dispostas a aprender, enxergar para além de seu limite técnico, pessoas que têm visão estratégica.

    Este novo mercado também valoriza a coragem. Pessoas que questionam o status quo, que assumem riscos, responsabilidade em meio a incerteza de um mercado em constante transformação.

    Ética, responsabilidade e empatia são pontos relevantes para um mercado cuja ferramenta é orquestrada por um ser humano. Em um mundo automatizado, o profissional justo é aquele que usa o poder da IA para gerar valor real às pessoas, respeitando o impacto humano e social de suas entregas.

    E por último, mas não o menos importante, o equilíbrio (temperança ou autocontrole) e a disciplina para não se tornar refém da tecnologia. É saber usar a IA como um amplificador das capacidades humanas, sem abrir mão da capacidade crítica e do pensamento autônomo.

    Quatro virtudes que farão parte do profissional deste novo mercado: Sabedoria, Coragem, Justiça e Temperança.

    A tecnologia pode acelerar entregas, otimizar processos e gerar conhecimento de forma instantânea. Mas ela não pode desenvolver estas quatro virtudes com tanta maestria quando um ser humano consegue.

    O protagonismo na era da Inteligência Artificial não será medido pelo seu domínio técnico, mas pelo quanto você evoluiu como indivíduo. As ferramentas mudam, as linguagens passam e as técnicas se transformam, mas o caráter, a integridade e as virtudes continuam sendo os únicos ativos inegociáveis do sucesso profissional.

  • O declínio cognitivo da sociedade brasileira com o uso incorreto da inteligência artificial

    O declínio cognitivo da sociedade brasileira com o uso incorreto da inteligência artificial

    Existe uma história antiga sobre um homem que ganhou uma carruagem com cavalos fortes e rápidos. Ele ficou tão empolgado que decidiu que nunca mais precisaria andar a pé. O tempo passou, as pernas dele encolheram, ficaram mirradas e atrofiaram de tanto ficarem paradas. Certo dia, a carruagem deste homem, já velho, quebrou, e ele percebeu que quase não conseguia dar um único passo sozinho para voltar para casa.

    Olhando de fora, a gente acha isso uma burrice sem tamanho, né? Mas a verdade é que a sociedade brasileira está fazendo exatamente a mesma coisa hoje com a Inteligência Artificial.

    A IA veio com uma promessa legítima: ser uma ferramenta. Ferramentas servem para aumentar a nossa capacidade, não para nos substituir. Se você usa o ChatGPT ou Claude para limpar uma planilha pesada, organizar dados ou automatizar uma tarefa repetitiva, ótimo! Você ganhou tempo. O problema real e o nosso grande erro é terceirizar a própria mente.

    A terceirização do pensamento

    Tenho observado o esforço das pessoas em se adaptarem ao uso da IA. Muitas têm criado ótimas soluções e resolvido muitos problemas de mercado. Já outras pessoas estão indo além, terceirizando sua criatividade pedindo para a IA escrever uma pequena frase de parabéns, resumo de textos que deveria ser lidos na integra, gerando ideias para posts e até mesmo pedindo para a IA planejar sua viagem.

    Não me leve a mal, eu mesmo já pedi para a IA fazer algumas destas tarefas, mas não de forma crônica (sempre).

    A morte do seu eu?

    O ócio criativo hoje já é uma raridade. Imagine agora com a terceirização do nosso raciocínio.

    Eu concordo, o ato de quebrar a cabeça para ter uma ideia original é doloroso, mas necessário. Pense comigo. A IA gera insights baseados na média de tudo o que já existe na internet. Quando terceirizamos o processo criativo inicial, você mata a chance de criar algo original, disruptivo e padroniza o seu pensamento ao “feijão com arroz” do algoritmo, deixando de lado a sua identidade, seu diferencial.

    Escrever uma mensagem de aniversário ou de apoio exige que você pense na sua história com aquela pessoa, sinta o momento e busque palavras que ecoem sua voz real. Deixar que a IA crie essa conexão torna nossas relações automatizadas e pode prejudicar a capacidade de expressar nossos sentimentos no papel. Fazendo com que mais um percentual do seu “eu” seja terceirizado.

    Escrever um e-mail de agradecimento, elaborar uma redação de escola ou faculdade, pensar em uma legenda para uma foto estão se tornando tarefas “pesadas demais”. A exceção virou a regra: Corre lá e pede para a IA fazer.

    Precisamos lembrar que somos seres humanos, limitados a uma natureza biológica e racional: o músculo que você não exercita, atrofia. Se você passar três meses sem levantar do sofá, suas pernas não vão aguentar o peso do seu corpo. Se uma geração inteira parar de fazer o esforço básico de colocar as ideias no papel, de procurar a palavra certa na memória e de raciocinar por conta própria, o cérebro vai desaprender a fazer isso.

    O que nos espera daqui a uma geração?

    O que vai ser do Brasil daqui a vinte ou trinta anos, quando os filhos dessa geração atual assumirem os hospitais, as escolas e as empresas?

    Essa é uma pergunta bastante curiosa, que só o tempo dirá. Mas quero deixar aqui minhas provocações:

    • Seremos uma sociedade completamente dependente de uma ferramenta?
    • Pessoas com acesso a toda a informação do mundo, mas incapazes de interpretar um texto simples sem pedir um resumo mastigado para um robô?
    • Teremos profissionais com ferramentas incríveis nas mãos, mas com mentes completamente empobrecidas?

    A grande ironia é que algumas pessoas morrem de medo dos robôs dominarem o mundo à força. Mas pelo que vejo, as próprias pessoas estão permitindo essa façanha pela própria preguiça de pensar.

    Não é a IA que está nos engolindo, somos nós que estamos permitindo que isso aconteça.

    Existe um caminho de volta?

    Sim, mas não é uma decisão que o mercado ou a ferramenta pode tomar. Precisa partir de você.

    Não vejo necessidade de tomar medidas radicais, como deletar os aplicativos ou fingir que a tecnologia não existe. O segredo é lembrar da diferença entre ferramenta e essência.

    Deixar a IA fazer o trabalho chato e repetitivo, mas não permitir que você, com sua preguiça e pressa, terceirize o trabalho racional usando IA. Proteja a sua mente.

    Escreva textos, leia livros, desenhe, tente expressar seus sentimentos com uso de caracteres. Não há nada de errado em expressas sua humanidade.

    Palavras finais

    Escrever este texto não foi fácil. Levei dias para escolher as palavras certas e criar bons exemplos. E sim, usei IA. Não para escrever o texto, mas sim para aumentar meu vocabulário, aperfeiçoar minhas provocações e potencializar uma ideia que partiu de mim, e não dela.

    Referência AI and cognitive offloading: supporting teachers to shape AI’s impact on learning

    Livro Guia do Estoico Contemporaneo
    Livro Guia do Estoico Contemporaneo
  • Usar IA deixou de ser um diferencial para o mercado

    Usar IA deixou de ser um diferencial para o mercado

    Ter conhecimento em inteligência artificial (IA) deixou de ser um diferencial para o mercado.

    O que diferencia um profissional hoje, no mercado, é o valor que ele gera com o uso desta ferramenta, e não o contrário.

    Falar sobre Inteligência Artificial e acompanhar tendências nas redes sociais não faz da pessoa um especialista, mas sim uma pessoa interessada em buscar conhecimento sobre o assunto.

    O profissional de hoje não é aquele que faz tudo com IA, mas aquele que sabe adaptar o uso da ferramenta a necessidade do mercado, viabilizando os resultados que de fato geram valor.

    O que gera valor não é usar Inteligência Artificial, mas sim solucionar um problema real

    Tenho observado muita gente falando sobre IA na internet. Criando aplicativos, automações, gerando conteúdo em diversos formatos. Tudo isso é muito legal, demonstra interesse em resolver problemas. Mas ao mesmo tempo gera um ponto de preocupação: A falta de propósito no uso da ferramenta.

    Uma pessoa que usa IA para criar artigos está, de fato, querendo resolver um problema?

    Não vejo nenhum mal em usar IA para criar aplicativos, imagem ou texto; inclusive incentivo. Contudo, acho importante entender primeiro qual o propósito do uso. Resolver uma necessidade real? Ou usar para criar um aplicativo que “reinventa a roda”.

    Precisamos prestar atenção. A vinda da IA não muda a demanda do mercado, mas sim a forma como o jogo é jogado.

    O que gera valor não é usar Inteligência Artificial, mas sim solucionar um problema real. E é essa a mentalidade que precisa ser ajustada.

    O resultado deste uso pode ser tanto inovador quanto uma nova forma de fazer a mesma.

    Ideias boas vs ideias que geram valor

    Para ilustrar essa reflexão, gostaria de dar dois exemplos que eu mesmo desenvolvi no Garage AI.

    Há alguns meses, criei um aplicativo chamado Burnouts.life, que é basicamente uma série de perguntas sobre saúde integrativa, capaz de calcular a probabilidade de uma pessoa desenvolver burnout a curto prazo.

    Esse app tem uma ideia interessante, chega a ser até divertido, mas não agrega um valor real ao mercado. Não pelo fato de ser falho, mas porque aponta algo que a própria pessoa já desconfia que tem e que por muitas vezes não pretende mudar.

    Em contrapartida, recentemente criei outro app no Garage que simplesmente pega as informações de uma tela e as transforma em uma dashboard. Uma coisa simples, mas que tem gerado valor real para todos no projeto. Entende o que estou querendo dizer?

    Não olhe para a ferramenta tentando criar uma solução inovadora. Olhe para o mercado. Identifique uma necessidade real e use a ferramenta para implementar uma solução. Fazer o contrário só vai te levar mais rápido para o caminho errado.

    Livro Guia do Estoico Contemporaneo
    Livro Guia do Estoico Contemporaneo